Vocação e Catequese: caminho de Emaús

Não é surpresa sugerir uma reflexão que nos remeta a um paralelo da caminhada catequética, como “itinerário de Iniciação Cristã”, e o incessante apelo vocacional que o Senhor da messe faz àqueles que abrem o coração a sua voz. Quando escutamos relatos de pessoas que ouviram o convite de Deus e abraçaram seu caminho de discipulado, dentro da vocação em que foram chamados, logo podemos encontrar os passos dados no caminho de Emaús.

Quase sempre, identificamos nas histórias vocacionais o período em que o caminho para o jovem é incerto, confuso e, até mesmo, dolorido, devido à cegueira ou visão turva que não permite enxergar claramente o Mestre. É a fase dos grandes questionamentos! Mas também, é quando Jesus se põe junto no caminho: O coração arde, reage às palavras Dele, busca esclarecimentos… É o encontro com os ensinamentos desse Companheiro, Amigo que caminha lado a lado e, de alguma forma, faz com o que é tão obscuro se torne mais claro.
E assim, o caminho percorrido com a presença do Senhor nos faz convidá-lo a permanecer: “Fica, Senhor, conosco”.
Chega o tempo da partilha, do sentar-se à mesa. Para o (a) jovem vocacionado (a), é tempo de viver um profundo contato com a vida eclesial, de conhecer de perto a realidade que o interpela e, veja que bonito, abrir os olhos diante do partir o pão: “o pão partilhado provoca a mais importante descoberta para as pessoas que trilham o caminho de Jesus: ele ressuscitou! Ele está vivo no meio de nós!” (OROFINO, Francisco. O lento processo de abrir os olhos. Revista Vida Pastoral. São Paulo, v. 50, n. 264, jan.fev. 2009, p. 30 – 34).

Os discípulos de Émaus são chamados também nesse momento. Chamados a serem anunciadores da maior notícia que a humanidade pudesse receber: Ele está vivo! “Ao receberem o pão partilhado, perderam o medo de Jerusalém, da cruz, da perseguição e da morte. Acolheram uma realidade profunda, misteriosa e transformadora que os fez renascer e lhes deu coragem” (idem, 2009). Somos chamados a também testemunhar, espalhar, anunciar a boa nova que Cristo ressuscitou. Isso é missão. É vocação. É caminho para o discipulado.

A você, jovem, é dirigido o convite a trilhar o caminho de Émaus também e, assim, fazer uma caminhada vocacional de descobertas e respostas ao Senhor que chama e anda ao seu lado.
Aos catequistas, vale lembrar que eles são também sinais aos jovens na dimensão vocacional. Retoma-se, portanto, o Diretório Nacional de Catequese que diz que “a juventude é a fase das grandes decisões. Os jovens passam a assumir seu próprio destino e suas responsabilidades pessoais e sociais. Buscam o verdadeiro significado da vida, a solidariedade, o compromisso social e a experiência da fé, pois é sua característica ser altruísta e idealista”. E, ainda: “A catequese como jovens, levando em conta seu protagonismo, realiza-se através de: […] acompanhamento personalizado ao jovem, acentuando a dimensão espiritual ao projeto de vida, incluindo a dimensão vocacional; […] Orientação vocacional em sentido amplo, que apresente possibilidades de engajamento na construção do Reino, dentro e fora da Igreja e a responsabilidade missionária no mundo”. (CNBB – CONFERÊNCIA NACIOANAL DOS BISPOS DO BRASIL. Diretório Nacional de Catequese. Brasilia: CNBB, 2006.).

Jovens, Catequistas, Animadores Vocacionais… Todos nós, Igreja: Trilhemos a estrada de Émaus e façamos dele caminho para o discipulado.

Paz e Alegria!
Pe. Flávio Porto

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