Paróquia Nossa Senhora do Patrocínio

Paróquia Nossa Senhora do Patrocínio

Praça. da Matriz, s/n - Centro - CEP 44890-000 - Canarana - Bahia


Pároco: Pe. Rogério Gomes de Oliveira
Telefone: (074) 3656-2204
E-mail: paroquiapartocinio@gmail.com

Missas (Matriz): Quinta e Domingo às 19:30

Diariamente nas comunidades;

Secretaria: 8hs as 12hs
Confissão: Às Quintas das 8:30 as 11:30

Em 1833, o Major MANOEL JOAQUIM DA SILVA MIRANDA, veio de Jacobina ajudar na construção da Igreja de Nossa Senhora da Graça em Morro do Chapéu, a convite do Padre Francisco Gomes de Araújo e Frei Clemente Adorno. Terminada a construção em 1834, o Major Miranda, como era conhecido, resolveu adquirir uma gleba de terras no território do município de Morro de Chapéu, a fim de formar uma fazenda para a criação de gado.

O Senhor Antonio Guedes de Brito, que era um dos maiores proprietários de terras pelo interior do sertão baiano, vendeu uma gleba de terras ao Major Miranda, que escolheu uma área banhada pela Vereda Romão Gramacho. Então se formou assim sua fazenda e edificou sua residência, à qual denominou Fazenda Canabrava.

Com o passar dos anos o Major Miranda viu chegar à região muitos migrantes vindos de várias regiões do Estado da Bahia e de outros estados e até de países diferentes atraídos pelos garimpos de ouro, prata e diamante que eram encontrados na região em grande abundância.

Em virtude disso, resolveu ele construir algumas casas residenciais dando assim o início da formação de um povoado, o qual recebeu o nome de Canabrava do Miranda. A data de criação deste não se sabe ao certo, mas tudo faz crer que foi por volta do ano de 1838.

Esta informação foi passada a mim pelo meu pai Joaquim Cezar de Almeida que também ouviu do Major José Martins de Araújo e o Cel. Alfredo Dourado.

Quando o Major Miranda iniciou a construção de casas, dando início à formação do povoado, também se iniciou a construção de uma Igreja para que nela fosse colocada a imagem de Nossa Senhora do Patrocínio.

Essa imagem foi trazida pelo Major Miranda quando se deu sua vinda para a região. Segundo o que foi dito pelo Major José Martins a meu pai, Miranda era muito devoto se Nossa Senhora do Patrocínio. Essa imagem eu mesmo, assim como muitas outras pessoas em Canarana, chegamos a conhecê-la. Era de uma estatura de50 a60 centímetros, de cor amarronzada e manto azul. Com o desabamento da Igreja velha, a imagem desapareceu.

Em entrevista com meu pai Joaquim Cézar de Almeida e o Sr. Carlito Pardal Garcia de Morro do Chapéu, ouvi dos mesmos o seguinte:

Que o primeiro vigário a celebrar em Morro do Chapéu, Canabrava do Miranda e assim por todos os demais povoados pertencentes ao município de Morro do Chapéu foi o Padre Francisco Gomes de Araújo com o auxílio do Frei Clemente Adorno, sendo este quem teve a iniciativa de construção da Igreja do Morro.

Após a construção da Igreja, foi criada a Freguesia de Nossa Senhora da Graça, desmembrada da Freguesia de Santo Antônio de Jacobina. Ato esse que se tornou de fato e de direito pela Lei Provincial  nº. 067 de 1838.

Outros vigários deram seqüência aos trabalhos de Evangelização do município, tais como: Padre Leonel, Padre Magalhães, Padre Ramos, Padre Inácio Vasconcelos, Padre Estevão, Padre José Soares França, mais conhecido com Padre Juca, este foi responsável por esta paróquia pelo período de 55 anos.

Com a criação da Paróquia de Canarana, Padre Juca, ainda permaneceu por alguém tempo até a chegada do Padre Jose, seguido por Padre Ilário, Padre Carlos, Padre José Miranda e agora o Padre Gercival Vieira.

Assim como todos sabem, os festejos em honra e louvor à Nossa Senhora do Patrocínio, tem início no dia 06 (seis) de agosto, com o início do novenário, até o dia 14 (catorze), tendo o dia 15 (quinze) a festa maior em homenagem à Ascensão de Nossa Senhora. Nos dias 16 (dezesseis) e 17 (dezessete) eram celebrados os batizados e casamentos.

Antigamente, durante o novenário, sempre tinha a noite de D. Ana Cândida que suas companheiras confeccionavam uns arcos de madeira e ornamentavam com flores, as mais diversas, e uns pavios, espécie de um rolo de linha com cera. Exigia-se também que cada pessoa pegasse um rolo daqueles, era um clarão só, por sinal muito bonito. As noites sempre eram acompanhadas pelos zabumbeiros que por mais de 100 (cem) anos abrilhantavam o novenário.

Alguns anos atrás, a partir do dia 12 de agosto, começava a chegar à Canarana muitos mascates, trazendo em suas mercadorias calçados de vários tipos e modelos, além de roupas, perfumaria e bijuterias, sempre aparecia também dois ou três ourives com muitas jóias, muitos fotógrafos, “lambe-lambe” como eram conhecidos e os fotógrafos de binóculos que eram os mais preferidos.

Os líderes da Comunidade foram: Joaquim Cezar de Almeida, Jason Cardoso Pimenta, Felisberto Mendes e sua filha Zélia, D. Onestina Lopes Lima com filha profª. Célia Lopes Lima e Profª. Valdeir Seixas Dourado, João Mendes de Almeida, Antenor Dourado, Luiz de Railda, Adérico e Vários outros que a própria comunidade de Canarana, já tem conhecimento. Estes Líderes junto com a Comissão criada para um deles, era quem tratava das organizações de cada festejo (Nome Comissão Organizadora).

Os Cânticos naqueles anos atrás eram a cargo de D. Zenália, D. Adélia, Profª. Célia, Profª. Valdeir, Cremilda, Profª. Zélia Mendes, Neném Carneiro. Durvalina Dourado Matos (D. Dú de Joel e Maria Dourado, mais conhecida como Maria do Sobrado).

Ouvi também de meu pai Joaquim Almeida, que quando aqui chegou vindo do Ceará, os líderes da comunidade eram José Martins de Araújo e Cícero Fernandes Lima.

A Igreja antiga de Canarana, era localizada quase no meio da praça principal e foi construída pelo Major Miranda. Por sinal era um construção muito segura, as paredes mediam de60 a70 centímetrosde espessura (largura), e justamente esta parede nada sofreu com o desabamento. A parte desabada foi a parte da construção nova, feita intensificando a Igreja, o altar de Nossa Senhora era colado na parede do fundo.

No ano de 1970, houve em Canarana um grande temporal “chuva com tempestade”. Nessa Noite o Sr. Antenor Dourado, dormia na casa do Sr. Vital Guanaes e teve um sonho com Nossa Senhora que dizia, filho a minha Igreja vai cair. Acordou muito preocupado com o sonho que teve e pediu a um dos filhos do Sr. Vital para avisar a meu pai Joaquim Almeida. No momento que meu pai recebeu o recado, a chuva já estava mais branda era só uma neblina. Meu pai chamou João Mendes e eu, e para a Igreja seguimos. Chegando no local o Sr. Antenor já estava a nossa espera e foi logo contando a nós o sonho que teve. Aproximei-me da porta lateral para abrir e naquele momento um pedaço da parede desabou que quase me atinge, afastamos um pouco e por alguns minutos ouvimos muitos estalos no madeiramento e momento depois houve o desabamento. O Sr. Antenor ainda disse a meu pai, seu Joaquim não podemos salvar nada, deve ter acabado com tudo. Passando um pouco encostamos para ver o estrago e para nossas surpresa a Imagem de Nossa Senhora estava em pé por cima de todo o entulho como que foi colocada por alguém, a Imagem de São Sebastião estava também por cima de tudo e a imagem do Senhor Morto foi jogada para a porta principal “na frente” e só teve uma fratura em um dos braços. Gente diante de tudo isto só parece ter sido um milagre diante de nossos olhos. Naquele momento, desabava também o deposito de Diográcio Fernandes Lima, na mesma praça ao lado da Igreja.

A alguns anos traz, durante os festejos a Nossa Senhora, aparecia em Canarana, Sanfoneiros vindos de regiões do Estado e até de outros Estados. De Canarana mesmo só tinha Manoel e Antonio Tocador, os mais vinham de fora. Para as festas sociais eram contratados por Joel Viena e Diográcio Fernandes Lima Sanfoneiros de outros Estados, como: Muritiba, Valdete e Eliziário. Anos Depois passaram a contratar o Jaz de Rui Barbosa sob a direção do Maestro Manoel Antonio. Canarana nesses dias era uma grande animação, na praça nos dias de batizados e casamentos, como dizia os mais velhos, era um truvejo só. Mais era muito animado.

A alguns anos atrás, os pais de família sempre deixavam seus batizados e casamentos para os dias 16 e 17 de agosto. Aí é que se via um grande ajuntamento de sanfoneiros acompanhado batizados ou casamentos.

Surgia de cada canto da praça e sempre acompanhado por um deles. O encontro sempre na porta da Igreja, cada um com um toque diferente que misturava tudo, era um truvejo. O padre tinha vez que até perdia a paciência com tanto choro das crianças.

Em época das Missões os números de fiéis aumentavam por demais, Canarana ficava pequena diante da multidão que comparecia.

Naquelas época as festas tradicionais de Nossa Senhora, tinha uma animação muito diferente das de hoje. Não se vê o ajuntamento que se via antes.

Naquela época assim como eu, muitos colegas de minha idade, fazia questão de acompanhar um batizado ou casamento, pois agente sabia que iria ser servido um vinho tinto suave fabricado mesmo em Canarana. Opior é que a gente voltando para casa meio tonto pé dentro pé fora e chegando em casa ainda levava uma boa surra de nossos pais. Mais de alguma forma era muito divertido.

Obs.:

Muitos destes fatos que estou narrando, foi passado para mim por meu pai que também ouviu do Major José Martins e Cel. Alfredo Dourado.

B. A história completa sobre Canarana em breve todos ficarão sabendo, pois ainda estou pesquisando alguns de talhes que me falta.

Data provável da criação do povoado – 1838 para 2006 = 168 Anos.

Festa Tradicional a Nª Senhora do Patrocínio – 1864 para 2006 + 142 Anos.