ESSA MÚSICA, “PODE OU NÃO PODE?!?”

De comida, todos gostam!
De música, arrisco dizer o mesmo!

Usei dos dois elementos para ilustrar um argumento a respeito das escolhas que fazemos no canto litúrgico.

Antes de partilhar sobre, vale a pena dizer que as comparações nem sempre esgotam o conteúdo mesmo; Também, aqui apresento percepções particulares (apesar de estar seguro em algumas delas) que podem ser contestadas e, melhor ainda, ampliadas.

Ressalvas feitas, vamos lá! “Bom apetite”!

Comparo a Música Litúrgica e as suas possibilidades com uma mesa farta, cheia de boa comida, colorida e diversa, apetitosa e eficaz só por existir. Você consegue mentalizar essa imagem?!? Pois, bem!

Nós músicos, animadores litúrgicos, muitas vezes nos colocamos diante dessa mesa, olhamos para tudo isso (quando o fazemos), sabemos que podemos nos servir, mas, passamos adiante, vamos lá, no canto escondidinho da cozinha, e nos contentamos com uma bolachinha seca com margarina.

Bom… Eu disse que a comparação pode não ser a melhor. Tento me explicar!

Quão maravilhosa e rica é Música Litúrgica! Quando lemos um pouco mais das fontes litúrgicas, quando aprofundamos com pesquisadores e estudiosos, que buscam com seriedade e amor ajudar na formação litúrgico-musical, quando buscamos ouvir com mais rigor e, a partir daí escolhemos com mais atenção o repertório musical para as celebrações, com certeza saboreamos muito mais o nosso ministério litúrgico.

O contrário é verdade! Correndo o risco de ser “indigesto”, digo que “passamos fome” enganados quando empobrecemos as nossas escolhas musicais litúrgicas a partir da moda, com conteúdo superficial, suscitadas tão somente em elementos subjetivistas; Quando substituímos as “nutritivas” fórmulas da liturgia, cheias de beleza da fé e da teologia, por musiquinhas de animação… (Às vezes, por exemplo, cantamos músicas para o Hino de Louvor que têm somente a palavra “glória” que corresponde ao sentido ritual. Ou seja, nada!) Quando reproduzimos, sem critério e reflexão, os modelos midiáticos; Quando introduzimos canções que não são próprias de nossa fé católica, que têm conteúdo não tão seguro, só “porque todo mundo conhece…”, “faz todo mundo chorar”, “até no Raul Gil está tocando”.

E muito mais “bolacha seca com manteiga” vamos comendo!

Resolvi escrever esse comentário também por ter lido um artigo de “(de) formação”, sugerido por uma amiga, que alguém explanava, música por música, o sentido do canto na celebração eucarística. Confesso que fiquei assustado.

Lembrei-me, assim, de uma personagem de Fabiana Karla, nesses programas humorísticos. Ela fazia uma nutricionista nada convencional, a começar da própria forma, que receitava os cardápios mais desapropriados para seus pacientes. E dizia: “Bolo confeitado com Chantili. PODE. Saladas, NÃO PODE!”. Lembra-se disso?

Fazemos isso também. Sim, nós músicos. Queremos ter a compreensão do “pode ou não pode”, sem nenhum aprofundamento. E aí muita coisa está virando uma “bomba calórica” musical em nossas celebrações. Vamos à sorte de preparar os cantos a partir do “colorido do prato”, sem perguntar sobre o “valor nutritivo”.

O ideal é buscarmos cada vez mais formação! Comparações de lado, estamos colocando à disposição ao Serviço do Senhor, que para nós preparou um grande banquete. Ele nos alimenta e sustenta. Dá-nos o Pão da Vida! Salva-nos! E muito mais poderíamos dizer. Por tudo isso, o zelo deve ser maior, partindo de uma compreensão melhor do que estamos fazendo.

Há quem diga que essa compreensão esgota as possibilidades de explorar a beleza da música. Na minha opinião, não! Ampliam. Pensemos em tantos bons artistas católicos que temos, quanta gente que compõe e produz nesse país que estão revolucionando nessa área. Agora imaginemos essa potência aplicada também ao sentido litúrgico. Seria demais!

As tímidas (poucas) experiências que já temos revelam isso. Lindo demais ouvir um canto que contém a riqueza da fé e da liturgia, com vigor, criatividade e sensibilidade dos músicos que temos hoje. Que venham mais! Que mais músicos explorem mais dessa “mesa farta” e ajudem outros a percebê-la. E para isso, a consulta do “pode ou não pode” resolve!

O capítulo 1 de um bom “livro de receitas” nesse assunto, tratará de: estudar mais! Rezar mais! Conhecer mais a fé! Amar a liturgia! Amar a Cristo!!! Tudo isso em porções “à vontade”.

Isso, PODE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Paz e Alegria,
Pe. Flávio Porto

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